Você Sabia?

O CORONAVÍRUS E AS EPIDEMIAS NA HISTÓRIA, com o Prof.º Henrique Cignachi, da E.B.M. Fernando B. Viegas de Amorim

Olá queridos alunos!
Infelizmente nossos encontros tiveram que ser interrompidos para evitar a disseminação do COVID19 (o “coronavírus”). Sabemos que este vírus se espalha rapidamente e ainda não temos uma vacina para combatê-lo e em países que não adotaram fortes medidas de isolamento social e quarentena, como a Itália, a quantidade de mortes tem sido alta (veja as reportagens abaixo).

Fonte: El País, 27/03/20, Disponível em:
https://brasil.elpais.com/brasil/2020-03-27/ao-vivo-ultimasnoticias-
sobre-o-coronavirus-no-brasil-e-no-mundo.html
Fonte: Folha de São Paulo, 27/03/20, Disponível em:
https://aovivo.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/12/5893-acompanhe-todas-as-informacoes-sobre-apandemia-
de-coronavirus.shtml#post399353

O que é uma pandemia?

A Organização Mundial da Saúde já elevou o COVID19 a pandemia, ou seja, uma epidemia (quando uma doença se alastra rapidamente por várias regiões) em nível mundial. Isso significa que todas as pessoas de várias regiões do planeta podem ter contato com a doença.
Isso se deve ao fato de vivermos em um mundo globalizado, com relações comerciais e culturais ligando pessoas das mais distintas regiões do planeta.
(Leia mais aqui: https://www.telessaude.unifesp.br/index.php/dno/redes-sociais/159-qual-ea-diferenca-entre-surto-epidemia-pandemia-e-endemia)

E um dos pontos mais importantes para refletirmos neste momento é o da importância do conhecimento científico. É graças a este conhecimento que sabemos que medidas precisam ser tomadas para evitar a disseminação do vírus e a encontrar sua cura (desenvolvimento de vacinas).
Nomes conhecidos, como Carlos Chagas e Oswaldo Cruz, foram grandes cientistas que dedicaram sua vida a cura de doenças epidêmicas em sua época. Você já ouviu a falar neles?

Carlos Chagas ao lado do astrofísico Albert Einstein em visita ao Brasil, 1925.
Carlos Chagas foi um dos cientistas brasileiros de maior destaque mundial.
Oswaldo Cruz (à direita) era ferrenho defensor da vacina como forma de evitar a disseminação de doenças. Porém, as práticas de obrigatoriedade em um tempo de pouca informação e de pobreza, criaram uma forte insatisfação popular no Rio de Janeiro, levando a Revolta da Vacina, em 1904. Apesar da revolta, a vacinação contra a Varíola foi um dos fatores centrais para o fim da epidemia da Varíola no início do século XX.
Atualmente muitos cientistas são importantes para decifrar o vírus e buscar formas de combatê-lo, como asbrasileiras, como Ester Sabino e Jaqueline Goes de Jesus (ao
lado), que decifraram o genoma do vírus em tempo recorde (2 dias).

Mas e na história, tivemos outras epidemias?

Na história tivemos vários registros de doenças que se espalharam rapidamente e mataram muitas pessoas. Na Bíblia há vários registros de pestes que acometeram outros povos e os hebreus, como entre gregos, egípcios e romanos. Apesar da medicina e o conhecimento científico tomar os primeiros passos na antiguidade, em boa parte da história, os seres
humanos não tinham conhecimento suficiente para evitar e tratar de doenças. Foi somente no século XVIII em diante, como o desenvolvimento da biologia, medicina e química modernas que conseguimos criar as ferramentas para combater e controlar os principais vírus e bactérias que tanto medo criaram na humanidade durante milênios: as vacinas, os
antibióticos e o estudo genético.
Você percebe como o conhecimento científico é importante para o controle e cura de epidemias?
Boa parte das pessoas, inclusive no mundo atual, identificavam as epidemias com causas sobrenaturais, como por exemplo, uma punição divina. Mas também houve os que usaram das doenças para atacar inimigos, criando a chamada guerra biológica.

Um dos primeiros casos registrados de guerra biológica ocorreu na América do Norte, quando em 1763 um comandante inglês mandou presentear com cobertores infectados de varíola os indígenas que resistiam à invasão. Tribos inteiras foram dizimadas. Na foto, o enterro de índios norteamericanos massacradas nas últimas guerras dos brancos contra os indígenas neste país, em 1891.

As epidemias não foram só fatos isolados na história, mas tiveram impactos
gigantescos nas relações políticas, econômicas e ideológicas durante toda
história. Não podemos entender a crise do feudalismo sem o estudo da peste negra, a conquista da América sem as doenças que dizimaram os povos ameríndios ou o preconceito das últimas décadas contra homossexuais sem a forma como foi tratada a disseminação da AIDS.

Algumas das piores epidemias da história

Peste antonina (ou antoniana) foi uma peste que assolou o Império Romano durante os anos de 160 e 180 e 251-266 e para alguns, marcou o declínio de Roman, visto que a perda do contingente de escravos e soldados no exército não foi recuperado posteriormente e facilitou as primeiras invasões de outros povos sobre as fronteiras romanas. Ela se originou na região do Oriente Médio, onde os romanos tinham grandes contingentes de soldados em guerra. Durante o período, cerca de 20% da população do império tenha morrido. Acredita-se que a doença tenha sido alguma forma antiga do vírus da varíola ou sarampo.

“Peste negra”, como era chamada a peste bubônica, que dizimou cerca de 1/3 da população europeia durante os séculos 14 e ficou registrada em várias formas, inclusive na arte. Junto das guerras e da fome, a peste
foi um fator central para a decadência do feudalismo e posterior desenvolvimento do capitalismo.

Ao lado, o quadro “O Triunfo da Morte” (1562), do holandês Pieter Bruegel, está no Museu
do Prado, em Madrid (Espanha).

Disseminação de doenças europeias na América e Oceania, como a gripe, tifo, sarampo, salmonela e varíola, levou à morte de boa parte da população indígena da América em pouco mais de um século. Essas doenças são centrais para se entender a rápida conquista espanhola na América, sobre os impérios Incas e Astecas. Na Oceania, auxiliou os ingleses a conquistar os povos aborígenes locais.

Ao lado, pintura indígena retratando pessoas que contraíram Varíola (Códice Florentino, início do século 16). A varíola causa pequenas bolhas por todo corpo, febre alta e dores por todo o corpo, como retratada na imagem.

Varíola: atingiu durante muitos séculos várias regiões do planeta (como na peste antonina), tendo intensificado o problema com a pobreza das populações em grandes núcleos urbanos, como no Rio de Janeiro no final do século 19 e início do 20. As primeiras tentativas de vacinação levaram à eclosão de uma revolta popular em 1904, a chamada Revolta da Vacina.

Gripe Espanhola ou gripe de 1918: atingiu a Europa ao final da Primeira Guerra Mundial, levando a morte de cerca de 30 milhões de pessoas em pouco mais de um ano. Apesar do nome, ela não teve origem na Espanha, sendo apenas este o país que graças a liberdade de imprensa, foi o primeiro a divulgar a situação de epidemia e mortes. Foi durante esta epidemia que se aprendeu a importância de medidas de isolamento social, cuidado com higiene, uso de máscaras e quarentena de pacientes infectados. Olhe na imagem abaixo os conselhos divulgados na época da epidemia da gripe de 1918. São muito parecidos com os conselhos atuais, não acha? Mas levou tempo para as autoridades e pessoas entenderem a gravidade da gripe e logo ela se tornou a pandemia que mais matou gente na história em um tão curto período.

Veja no quadro (acima) a quantidade de mortos pela gripe em 1918 em comparação com a
Primeira Guerra (1914-1918) e Segunda Guerra Mundial (1934- 1945)

Vírus HIV: HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Entre 1981 e 2006 acreditasse que morreram cerca de 25 milhões de pessoas, 1/3 somente na África subsaariana. Pela inicial rápida disseminação nas comunidades gays, criou-se um forte preconceito, inclusive tendo sido usado termos como “vírus gay”, “câncer gay” para se referir ao HIV. A verdade é que, apesar de serem um grupo de risco, a AIDS pode atingir a todos que realizarem relações sexuais sem preservativo. E tratar um grupo que já sofria discriminação é preconceituoso e não contribui para a superação da doença. Hoje, desde que adequadamente tratados, os HIV-positivos conseguem conviver com o vírus por longos períodos, talvez até o fim de uma vida bastante longa.

Você também pode conhecer outras epidemias e aprofundar sua pesquisa através dos links abaixo:

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